daquelaquevivenalua

19.agosto.2011

Como ontem
hoje já não é.
Você sabe bem
onde esta sua maré.
Se te acende o sol
é de a maré trazer
é de amar é.

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A prece do Edgar do 76

14.julho.2011

Opinião é que nem merda, cada um faz a sua; ninguém conhece a verdadeira origem da dos outros ( estrogonofe, feijão com arroz, purê de batatas ); todas terminam no mesmo lugar; e a dos outros sempre fedem mais. Eu, eu quero uma vidinha de chinelo. Dessas que não se afunda os pés. Quero ser um ser raso, um simples vaso pra quem quiser plantar. Não farei caso se quiser me podar. Eu só quero uma vidinha dessas de cinema tranqüilo.  Uma pra alguém cobrar do seguro. Vou receber as reclamações que os maridos recebem, arrumar as brigas que os idiotas arrumam, sofrer com as perdas que os competidores sofrem, ter os olhos pesados dos que acordam cedo e as amantes dos que sentem a necessidade de amantes. Eu só quero aprender a cultivar uma vidinha assim sem reclamar, sabendo que nada maior tem pra acontecer. Afinal, meu corpo é uma caixa de habitar pensamento, o meu pensamento é uma seqüência lógica aprendida, meu pé tem cinco dedos e isso faz de mim digno de chinelos. E, eu também assisto videos pra ver igual a quem eu posso ser. Junto uns personagens, copio suas linhagens e habito minha caixa por outros, quem sabe não mudo um tanto? Forço um pouco e fico rouco. Só pra se parecer com aquele moço. E quando me cansar que lancem outro, tão rentável quanto o d’outro. Amem.


VeniceVillage

27.maio.2011

O senhor do 41 acostumou-se da senhora do 41 e foi ciscar na senhora do 23. A senhora do 41 acostumada a engordar e emagrecer para desacostumar o costume do senhor 41 decidiu ceder ao senhor do 54, que vivia a choramingar porque sentia que tinha enjoado sua senhora. Agora, mais gorda, a senhora do 41 vive a trombar com a senhora do 54, que jura enjoar de todo e qualquer homem. “É costume” ela diz, “depois de muito tempo as coisas ficam assim”. Em conversas particulares todos moradores demonstram medo do enjôo inevitável e as tentativas de driblá-lo já são a muito tempo, como o próprio zelador diz, “por demais de repetitivas e ultrapassadas”.

“Aluga-se apt mobiliado. Ótimo lugar para criar os filhos”


o caso do GORDO

28.abril.2011

A família já estranhava a algum tempo “Ele fez aquela cirurgia de estomago, sabe? E ainda assim não para de engordar”; “Eu reclamaria com o medico” diziam os vizinhos. Até que um menino foi escondido perguntar: “Tio, porque o senhor só engorda?” O gordo, sem graça, respondeu “O titio colocou outro estomago, deve ser por isso” “Além do que o senhor já tinha?” “Isso, além daquele…” falou o tio numa voz tremida “Mas tio, foi sem querer?” “Não, foi de propósito” e desatou a chorar. O menino, talvez por ainda ser menino, ficou sem entender nada e assim que bateram na porta o gordo engoliu o choro, deu um jeito na cara e foi viver.


Caso da rua 32

11.março.2011

Não que não soubesse quem era, ou o que era… –ele jura que não– Diz que só não sabe até onde poderia ser. E por querer saber tudo o que pode ser, passou a ser um pouco de quase tudo. Outro dia, juram os vizinhos, ele latia junto de um pastor alemão.


sobre ele…

8.novembro.2010

Ainda que ele fizesse uma descrição de si jamais saberia o quanto
dela
nele
ela deixou.
Ainda que ele quisesse devolver
dele
o dela
ela
nele
nunca mais se achou.
Ainda que ele pedisse
dela
ele
dele
nela
não ficou.
Ainda que
ele
pedisse a
ela
ela
ela
dele
já não era.

…que sem ela não é ele.


()<–<

12.outubro.2010

Primeiro foi a cafeteira. Depois a cortina. Em terceiro o carro. Dizem que a tal qualidade grudou no seu cérebro sem que ele percebesse, mas nunca se pode dizer ao certo o que veio primeiro: o ovo ou a galinha. Só se sabe que aos poucos o tal atributo em negrito e sublinhado foi crescendo, ironicamente, em automático. Por isso, hoje, aquele corpo em movimento enquanto trabalha, come ou ama, parece ser dotado de uma destreza singular. Mas se observado com atenção parece não realizar nada.

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