Tudo nor.mal (cont)

26.setembro.2009

Mulher – Ontem eu cuspi sangue.

Marido – A que distancia?

Na minha mão.

Saiu fácil?

Não. Continua manchada.

(ela cospe no chão um catarro ensanguentado)

Cuidado pra não sujar os objetos.

Vou tomar. Ah, eu escarrei um ouriço também. Saiu rasgando pela minha garganta.

Grande?

Filhote.

Com certeza é órfão!

Assim que ele saiu me deu vontade de adotar ele. O que acha amor?

Não sei…Será que da muito trabalho?

Não precisa de fraldas, não vai a escola e já vem educado.

Posso brincar com ele e guardar de volta sem preocupação?

Pode, pode. E quando enjoarmos podemos comer, ou devolver pro mar.

E quando nos separarmos? Quem fica com ele?

Pode ficar com você.

Não. As mães ficam.

Mas ele vai ser mais apegado ao pai.

Não, não. Ele vai gostar da mãe, que é mais transparente.

Vai gostar do pai que é mais produtivo e tem cargo importante.

Vai admirar a beleza da mãe!

O afeto do pai.

Bom, dividimos ele então.

Fisicamente?

Física e psicologicamente.

Quando estiver com a mãe ele pensa no pai. E quando estiver com o pai pensa a mãe.

Você caga uma verdade na cabeça do menino e eu cago outra ao contrario, assim ele fica bem rompido!

Se não vira churrasco e pronto.

Combinado.

Mas saiba que só aceito divorcio antes dos 30. Depois dos 40 até aceito amantes. Depois dos 50 aquilo que você tanto quer. Depois do 60 rugas. Aos 70 aceito suas doenças, aos 80 rio da vida datilografada que iremos ter. Depois trocamos palavras sem gel. E enfim, o tão esperado sossego.


Um homem sabido falou:

23.setembro.2009

O amor não tem significado. Ele significa.

Uma menina (meia ingênua) pensou:

É a minha chance de dar sentido pra tuuuudo


um homem (meio bobo, meio burro, meio sabido) falou:

19.setembro.2009

– Eu queria ter um amo, pra que pudesse parar de pensar. E entregar meu destino a alguém. Porque esse negocio de criar seu destino e ainda ter de vive-lo é muita tarefa. Então prefiro ter dono. Franzino senhor. Dotado de alguma simpatia e habilidades programadas. Meus desejos são numéricos então isso não ia estrangular muito minha pessoa. Quem sabe uma casa de pau a pique, pra que pudesse manter minha vidinha diabética, enquanto finjo não esperar que a morte sente ao meu lado. Bom mas não foi pra isso que vim aqui. Vim aqui para farfalhar. A mando do meu amo superior, minha cachola. Tchu tchu tchururu… Problema numero um: minhas calças agora tem vida própria, sentimentos! Não há o que eu faça pra que me obedeçam, não sei se vocês já passaram por situação humorística como essa, mas são elas quem dizem quando serão usadas, não eu! Se o humor de minhas calças não bater com o meu, elas se negam a entrar no meu corpo. Mas lhe digo. Pernas pra que te quero? Se eu fosse um gato tímido ia só usar pelos e deixar o tempo me comer cru, como peixe. Quem sabe ele não ia se engasgar, me cuspir para fora e esquecer de mim… Jesus, desculpa se falo assim muito… É só um jeito de não pensar besteiras. Desviar o pensamento do que incomoda.  Difícil de lavourar essas palavras. Larvas pa ta ti tchururu…. Sendo sincero, eu queria dizer coisas sem mensagens, mas parece que não consigo. Quem sabe se eu fizer um relato de fatos consumados. Somente fatos, sem explicações, deduções, e blábláblá. Pra que eu não seja refém de algum recado que já tenha dono. Eu digo: uma criança envelheceu. E pronto, só contei fatos, mas estou certo que você ira interpretar. Jesus, estou sendo usado pra dissipar recados. Eu sou um fio condutor! E nem havia me dato conta! Que coisa mais bela! Eu sou um asfalto! Onde você vai pisar e trilhar o caminho que quiser. Um asfalto “imbazado” de estofo alheio. Mas um dia ei de me emancipar. Assim que tiver um dono! Pra que eu possa libertar os pensamentos e entregar o meu destino. Bom tudo isso pra dizer que. Eu sou um homem. E o tempo provar-te-a.  Se quiser ser minha dona é me só me contratar.


assim assim

12.setembro.2009

Ela queria colo…

Ele tinha os dois braços e sabia o que ela queria…

Ela estava louca pra se jogar…

Ele sabia e tudo o que queria era ver ela feliz de novo.

Mas o abraço não aconteceu.

Por sorte não aconteceu.


Fotos

12.setembro.2009

Semelhanças entre lustres e prédios, árvores e geleiras, objetos e pessoas… (o link vai ficar junto com os outros: Aref Adib):

http://www.aref-adib.com/archives/cat_lookalikes.html


“Prole”

11.setembro.2009

MÃE

Filho problema, filho de esquema, filho parido de mãe a venda.

FILHO

Mãe, agradeço todo ensino, mas você não me conhece.

MÃE

Filho de esquema, ensino seu pai deixou pago e você não aproveitou. Eu te conheço.

FILHO

Como posso ser tão honesto, habilidoso, bonito, humilde e competente vindo de uma mãe apenas habilidosa.

MÃE

Humildade você exagerou, é vaidade sua.

FILHO

Vai idade, você já está velha. Atrasada.

MÃE

Eu sou velha e funciono. Opero sempre no nível máximo de qualidade.

FILHO

Sei, eu te conheço.

Você é daquelas que duram uma vida toda pra morrer. Enjoa.

MÃE

Você me engole como se fosse deus.

FILHO

O momento é meu, a geração é minha, daqui a pouco ficarei estampado em alguma vitrine empoeirada, no canto, de canto.

MÃE

Até que você entende, filho de mãe a venda. Bonitinho.

FILHO

Sem zelo, outro exagero seu.

MÃE

Não é zelo. Elo.

FILHO

Seu filho é problema meu.

MÃE

Meu filho, seu problema é meu.

FILHO

Você não me conhece.

MÃE

Pensa que é cacique. Vai repetir a dose, pode escrever; vai repetir a dose.

FILHO

Não vou idosa. Já conheço teu dossiê.

MÃE

Bonitinho, ingênuo, mas bonitinho. Aposto que você não tomou suas pílulas.

FILHO

Terminou?

MÃE

Quando você começa a ficar arredio assim é um sinal. Eu vou falar com doutor em alguma coisa.

FILHO

Terminou?

MÃE

De quê?

FILHO

De falar.

MÃE

Tá vendo? Vou pedir pra algum doutor em alguma coisa trocar seu remédio. Antes você era afeminado e fóbico, agora está mal educado e fóbico.

FILHO

Não muda muito.

Velha morta.

MÃE

O quê?

FILHO

Vela torta. Vai rezar que já é hora.

MÃE

Eu não rezo filho de indução em liquidação.

FILHO

Não reza por mim?

MÃE

Não, já paguei muito.

FILHO

Pecado?

MÃE

Dinheiro, o resto é exagero.

FILHO

Quanto eu custei?

MÃE

Não me lembro, já faz tempo, mas foi barato.

FILHO

Sabe se eu valorizei?

MÃE

Seu pai que sabia dessas coisas.

FILHO

Meu pai?

MÃE

Sim. Um canudo assim, desse tamanho. Você puxou a ele.

FILHO

Um canudo de inseminação, aposto que ele era de última geração.

MÃE

Naquela época, hoje não.

FILHO

Sempre, você também entende mãe de (v,t,r)endas.

MÃE

Você não passou pelas minhas estrias.

FILHO

Isso é ruim?

MÃE

Para uma mãe, é.

Já quis te ensinar algu más coisas.

FILHO

Ahhh, ensinar o quê?

Como regredir anos e anos?

MÃE

Você poderia ter a simplicidade da minha época e a versatilidade dessa em que estamos.

FILHO

Perfeito. Tudo isso e uma pitada de futuro. Brilhante.

(por Pedro Machado e Kauê Telloli)


outro pingo no I

8.setembro.2009

Dizem que o leitor do blog quer textos rápidos, diretos e com muito conteúdo, dizem que o leitor de blog nunca esta atento ao que lê. Dizem que o leitor de blog vê e não registra. Dizem tanto sobre esse sujeito que ele até parece um só. Um ser simples assim, sem nó. Um sujeito de dar dó.